Aqui no Blog Info Inclusão tratamos de inclusão digital mas também sobre as deficiências desse processo gradual, então, selecionei um artigo interessante que fala sobre o outro lado desse tema: a exlusão social e digital.Boa leitura!

 Segundo os autores Martins e Pieranti,

 A idéia de exclusão social surgiu em meados dos anos 1970, através da preocupação do governo francês em adotar programas de inclusão para os cidadãos desempregados há muito tempo, em consonância com o reconhecimento de que o governo não poderia lidar com o desemprego sem atacar as desigualdades de renda, educação, assim como itens relacionados a sexo do cidadãos, sua origem étnica e outras facetas da sociedade francesa. Desde então, muitos países europeus têm desenvolvido políticas de inclusão envolvendo vários setores governamentais, de modo a resolver os problemas sociais existentes. (O´Brien, 2001). Grupos socialmente excluídos há muito têm sido privados de oportunidades possuem capacidade muito limitada de participar do processo de transformação da sociedade na qual estão inseridos. Tal fato gera a necessidade de que iniciativas sejam desenvolvidas e possibilidades tecnológicas exploradas, de modo a promover melhorias na qualidade de vida ou defesa de seus próprios interesses (MARTINS & PIERANTI: 2006: 260).    

Sobre o tema, Habermas afirma:

  Ora, em pondo fim ao compromisso constitutivo do Estado social, faz-se ressurgir a crises que ele tinha conseguido conter. Daí a reaparição das despesas sociais que uma sociedade liberal corre o risco de não suportar. Os indicadores que assinalam o aumento da pobreza e da precariedade social, ligados à disparidade crescente de renda, não têm antigüidade; não se pode desconhecer as tendências à desintegração social. Lá onde diversos tipos de exclusão acumulam seus efeitos – exclusão do sistema de emprego e da capacitação, das prestações sociais, da habitação, dos recursos familiares – surgem novas “classes inferiores”. Estes grupos empobrecidos, largamente cortados do resto da sociedade, não são mais capazes de mudar sua situação social pelos seus próprios meios. Ora, uma tal falta de solidariedade destruirá inevitavelmente, a longo prazo, a  cultura política liberal sem a qual as sociedades com Constituição democrática dificilmente poderão desenvolver o universalismo que a caracteriza (HABERMAS, 2000: 28).

  Desta forma, como falar em inclusão digital em uma sociedade que não inclui socialmente seus seres humanos? Que não oportuniza as mínimas condições para uma existência humana de forma digna?

  Fomos buscar alguns estudiosos para entender melhor esta questão. Segundo Santos,

  […] a inclusão digital é uma faceta particular das questões de inclusão social, não se podendo empreender a primeira na ausência da segunda. Por outro lado, a inclusão (digital ou social) é par da exclusão (idem), sendo a própria exclusão social uma manifestação particular das desigualdades sociais, sobretudo das desigualdades que se expressam sob o rótulo da pobreza” (SANTOS, 2006: 14-15).

  Ainda sobre o tema, Silva et al afirmam que:

  […] a  exclusão digital concentra em si o reflexo de um problema no Brasil: a exclusão social. Exclusão digital é o termo utilizado para sintetizar todo um contexto que impede a maior parte das pessoas de participar dos benefícios das novas tecnologias da informação. Digital também porque hoje as conseqüências da exclusão social acentuam a desigualdade tecnologias e o acesso ao conhecimento o abismo entre ricos e pobres. (SILVA et al, 2005: 5)

  Precisamos estar atentos à reflexão que fazemos, porque a relação de exclusão digital e social não é uma via de mão dupla. Sobre isso, recorremos a Macadar, que nos faz refletir:

  Um ponto importante deve ser esclarecido quando se fala de exclusão digital: não há uma relação direta entre a exclusão social e a exclusão digital. Nem todos os excluídos digitalmente também são excluídos economicamente. O que se pode afirmar é que exclusão econômica pode levar a um exclusão digital, e que o economicamente incluído também pode ser um excluído digital. Portanto, não se pode reduzir o problema ao fator ‘poder aquisitivo’. (MACADAR, 2002: 2)

  Não é somente esse o tipo de exclusão que encontramos. Encontramos muitas vezes  políticas publicas de infoinclusão, como nas Oficinas do Programa de Educação Continuada (PEC)4, do qual tive a oportunidade de participar como multiplicadora. Nele, vivi esses entraves por meio das falas, relatos dos professores e de seu comportamento perante as novas aprendizagens que estavam sendo oferecidas a eles a través das TIC. Ficaram nítidas as dificuldades de ordem curricular, de formação técnico-pedagógica, financeira, ideológica e das relações de poder dentro da instituição escolar. A grande maioria dos professores não utiliza as Salas de Ambientes de Informática (SAI)5 e os poucos que o fazem têm dificuldade para superar algumas barreiras como equipamentos quebrados, diretores autoritários, falta de habilidade no uso dos computadores, entre outras. Ao fazer algumas experiências nas SAI, sentem-se completamente solitários, sem apoio das instâncias hierárquicas superiores e, principalmente, sem o apoio de seus pares. Ainda assim muitos professores não conseguiam ultrapassar suas próprias resistências em relação à uma nova aprendizagem que implicava naquele então em novas formas de ensinar e de se relacionar com o aprendizado dos alunos, nova postura ideológica, que não pertencia ao ensino tradicional habituados em suas práticas.

  Silva et al.,  asseguram que:

  […] há outras formas de exclusão, que devem ser abordadas de forma sistêmica, numa política de infoinclusão. Para citar um exemplo, pode-se afirmar que há muitas pessoas com fortes resistências ao uso da Tecnologia de Informação e Comunicação, independente de classe econômica e das possibilidades de acesso. As gerações mais novas, normalmente, possuem maior facilidade e interesse em utilizar as TICs do que pessoas de mais idade. As formas de apresentar as Tecnologias da Informação e Comunicação de maneira adequada à população da terceira idade – que cresce, no país – é uma questão que não pode deixar de ser discutida. Outro fato excludente, ou que dificulta ou uso da Internet, é o idioma. Quase metade das páginas disponíveis na  Web estão em inglês, enquanto apensa 6% estão em espanhol e 3% estão em português. Também não podemos deixar de mencionar as pessoas com necessidades especiais, normalmente excluídas socialmente e para as quais as TICs podem representar a abertura de novos espaços de expressão e inserção social. Estas pessoas com deficiências, requerem o desenvolvimento da tecnologias especificas que sejam adequadas às suas necessidades (físicas, visuais, mentais etc.), e o acesso facilitado a estas soluções e serviços (SILVA at el, 2005: 6-7).

Fonte   cibersociedad.net

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